Medida

De Dicionrio de Potica e Pensamento

1

"O divino é 'a medida' com a qual o homem confere medida ao seu habitar, à sua morada e demora sobre a terra, sob o céu. Somente porque o homem faz, desse modo, o levantamento da medida de seu habitar é que ele consegue ser na medida de sua essência" (1).


Referência:
(1) HEIDEGGER, Martin. Ensaios e conferências. Trad. Emmanuel Carneiro Leão, Gilvan Fogel, Marcia Sá Cavalcante Schuback. Petrópolis: Vozes, 2001, p. 172.

2

A questão na vigência do questionar mede seus julgamentos (krisis/crítica) pela medida do sentido e verdade do Ser e não apenas pela medida do ser do sendo, um ser concebido ideal e paradigmaticamente, pressupõe abertura para o envio dos diferentes modos de a phýsis se manifestar. A phýsis é a medida da lei e a lei da medida. São as experienciações do real sendo. Está, portanto, em contínuo e profundo diálogo com a tékhne e a episteme. Mas para ultrapassá-las como tekhné da poíesis e noein do einai (cf. Parmênides: Peri physeos).


- Manuel Antônio de Castro


Ver também

3

"Assim como a medida converte o tempo em razão, a identidade converte o lugar a uma espécie de extensão espacial sem localidade. A identidade assegura o predomínio da ideia para o senso comum. Tanto a medida assegura a temporalidade da ideia, quanto a identidade assegura a sua espacialidade. Esse é o modo como ficam afastadas assim, ao menos por parte da ideia, uma série de possibilidades dinamizadoras da realidade, e esta fica reduzida a uma temporalidade-espacialidade determinada pelas ações-realizações, bem como por aquilo que é capaz de caber no âmbito da ideia, ser por ela identificado e medido" (1).


Referência:
(1) JARDIM, Antonio. Música: vigência do pensar poético. Rio de Janeiro: 7Letras, 2005, pp. 71-2.


4

A compreensão vulgar de espaço e tempo são o resultado da medida. Toda "causalidade" resulta da medida. Mas o radical de medida diz o meditar, pensar. Acontece que nestes advém o que de si se mede enquanto presença e doação como clareira, verdade.


- Manuel Antônio de Castro



5

Nenhum ente é igual, cada um é uma doação original absoluta do ser, porque só podemos ser este ou aquele ente a partir do e na vigência do ser. Por isso somos sendo, isto é, provimos e nos presentificamos como doação do ser e caminhamos para o ser, num processo de manifestação e apropriação do que somos dimensionando-nos pelo ser e só pelo ser, ou seja, ser é: sersendo pelo agir e fazer até o sendoser. É a nossa medida essencial e única.


- Manuel Antônio de Castro


6

"A medida, a identidade, a analogia e a análise estruturam uma série de concepções acerca do que é o real, a verdade, o ser, a unidade. A medida sem dimensão, a identidade sem diferença, a analogia que, progressivamente, racionaliza, e a análise que, ascendente e progressivamente, descendente e regressivamente, é capaz de desligar, conformam os modos próprios de predomínio da ideia. Tudo isso concorre para a confecção de uma realidade sem espessura, sem densidade, linear e progressiva, uma realidade ideal" (1).


Referência:
(1) JARDIM, Antonio. Música: vigência do pensar poético. Rio de Janeiro: 7Letras, 2005, p. 72.


7

"Agimos ao nos empenharmos por algum penhor. Talvez seja melhor e mais verdadeiro enunciar que o viver agindo é o viver em que acontece o sentido, uma vez que não somos um programa em que basta simplesmente iniciá-lo com um comando, um toque, como se faz hoje, em geral, com tudo que diz respeito à computação. Todo programa é orgânico e, por isso, seus processos, resultados e fins já estão inscritos e previstos. Tudo se regula por uma medida conhecida pelo programador e pela máquina. O que diferencia o agir do ser humano é que nele a vida se dá, acontece dentro da medida do viver e do morrer. Mas destes ninguém sabe a medida, pois eles mesmos são a medida, e não nós.


Referência:
(1) CASTRO, Manuel Antônio de. "O mito de Cura e o ser humano". In: -----. Arte: o humano e o destino. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2011, p. 215.


8

"Toda ação, toda procura, se dá, acontece sempre, queiramos ou não, dentro de uma não-medida e de uma medida, que lhe são inerentes, internas e externas. Todas as ações humanas se dão, acontecem, sempre dentro de um paradoxo, de uma encruzilhada, em uma palavra, em um entre, ora orientadas pela medida da não-medida, ora tendo como fim a não-medida da medida. O pensador Aristóteles, na abertura do primeiro livro da Ética, nos diz que “em toda ação vive um empenho por algum bem”. Não podemos, porém, confundir “algum bem” com “o bem”. É neste e por este que nos advém o sentido. Isso é o ético (1).


Referência:
(1) CASTRO, Manuel Antônio de. "O mito de Cura e o ser humano". In: ------. Arte: o humano e o destino. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2011, p. 216.
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