Mensageiro

De Dicionrio de Potica e Pensamento

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: "O [[radical]] de [[Hermes]], ''wre'' ou ''wer'', é indo-europeu e significa [[palavra]]. Esta se origina do [[verbo]] [[grego]] ''pará-ballein'': o lançar no [[entre]], daí toda [[palavra]] ser portadora e a própria [[mensagem]].  [[Ulisses]] só vence porque é portador do [[saber]] de [[Hermes]], a própria [[Linguagem]], o [[mito]] dos mitos e [[ritos]], o [[sagrado]] primordial e [[originário]]" (1).  
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: A [[mensagem]] é a [[própria]] [[palavra]] e o seu [[sentido]]. Porém, acontece algo muito especial com [[Hermes]]: ele é, ao mesmo tempo, o [[mensageiro]] e a [[mensagem]]. Tal não acontece com a [[palavra]] [[anjo]].  
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: (1) CASTRO, Manuel Antônio de. "Ulisses e a Escuta do Canto das Sereias”. In: -----. ''Arte: o humano e o destino''. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2011, p. 156.
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: (1) CASTRO, Manuel Antônio de. "Ulisses e a Escuta do Canto das Sereias”. In: -----. '''Arte: o humano e o destino'''. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2011, p. 156.
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: "Vocês não nos veem. Vocês não nos ouvem. Vocês nos imaginam tão longe. No entanto, estamos tão perto. Somos os [[mensageiros]] que aproximam os que estão longe. Somos os [[mensageiros]] que trazem [[luz]] aos que estão nas [[trevas]]. Somos os [[mensageiros]] que trazem a [[palavra]] aos que [[perguntam]]. Não somos a [[luz]] nem a [[mensagem]]. Somos os [[mensageiros]]. Nós não somos [[nada]]. Vocês são [[tudo]] para nós" (1).
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: No final do filme aparece de novo o anjo falando e diz:
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: (1) Esta é a fala do anjo que inicia o filme de Wim Wenders: '''Tão longe, tão perto'''  (Prêmio do grande Júri em Cannes, 1993).
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: (2) Esta é a fala do anjo que termina o filme de Wim Wenders: '''Tão longe, tão perto''' (Prêmio do grande Júri em Cannes, 1993).
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: "[[Nós]] só somos o que somos no âmbito, densidade e [[dimensão]] das [[questões]]. Mas há uma [[aprendizagem]] – não há outro [[método]] senão os [[caminhos]] de [[Hermes]]. A [[aprendizagem]] de [[Hermes]] é a [[experienciação]] do [[verbo]]. Pois [[Hermes]], em sua [[etimologia]], significa [[verbo]]. E [[verbo]] é [[ação]]. É importante guardar que o [[agir]] do [[verbo]], que é a ''[[physis]]'', o [[ser]], a [[realidade]] se manifestando, os [[gregos]] chamaram ''[[poiesis]]''. Mas em que consiste a [[essência]] e [[sentido]] do [[agir]] da [[realidade]], da ''[[physis]]''? Todos sabemos que [[Hermes]] é o [[mensageiro]] dos [[deuses]]. A [[nós]], [[mortais]], cabe [[escutar]] a sua [[voz]] ou a [[voz]] de ''[[Mnemosyne]]'' através das [[Musas]]. É neste [[sentido]] que proponho as [[questões]] da [[arte]] na [[obra]] de [[Heidegger]]. Outras [[escutas]] podem achar outros [[caminhos]]. Eles serão [[sempre]] bem-vindos" (1).
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: O [[anjo]] falando: "Vocês não nos veem. Vocês não nos ouvem. Vocês nos imaginam tão longe. No entanto, estamos tão perto. Somos os [[mensageiros]] que aproximam os que estão longe. Somos os [[mensageiros]] que trazem [[luz]] aos que estão nas [[trevas]]. Somos os [[mensageiros]] que trazem a [[palavra]] aos que [[perguntam]]. Não somos a [[luz]] nem a [[mensagem]]. Somos os [[mensageiros]]. Nós não somos [[nada]]. Vocês são [[tudo]] para nós" (1).
 
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: Referência:
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: (1) Esta é a fala do anjo que inicia o filme de Wim Wenders: ''Tão longe, tão perto'' (Prêmio do grande Júri em Cannes, 1993).
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: (1) CASTRO, Manuel Antônio de. “Heidegger e as questões da arte”. In: Manuel Antônio de Castro, (org.). '''Arte em questão: as questões da arte'''. Rio de Janeiro: 7Letras, 2005, p. 29.

Edição atual tal como 21h48min de 12 de fevereiro de 2022

1

"O radical de Hermes, wre ou wer, é indo-europeu e significa palavra. Esta se origina do verbo grego pará-ballein: o lançar no entre, daí toda palavra ser portadora e a própria mensagem. Ulisses só vence porque é portador do saber de Hermes, a própria Linguagem, o mito dos mitos e ritos, o sagrado primordial e originário" (1).
A mensagem é a própria palavra e o seu sentido. Porém, acontece algo muito especial com Hermes: ele é, ao mesmo tempo, o mensageiro e a mensagem. Tal não acontece com a palavra anjo.


- Manuel Antônio de Castro.
Referência:
(1) CASTRO, Manuel Antônio de. "Ulisses e a Escuta do Canto das Sereias”. In: -----. Arte: o humano e o destino. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2011, p. 156.

2

O anjo falando:
"Vocês não nos veem. Vocês não nos ouvem. Vocês nos imaginam tão longe. No entanto, estamos tão perto. Somos os mensageiros que aproximam os que estão longe. Somos os mensageiros que trazem luz aos que estão nas trevas. Somos os mensageiros que trazem a palavra aos que perguntam. Não somos a luz nem a mensagem. Somos os mensageiros. Nós não somos nada. Vocês são tudo para nós" (1).
No final do filme aparece de novo o anjo falando e diz:
"Somos os mensageiros que aproximam os que estão longe. Não somos a mensagem. Somos os mensageiros. A mensagem é o Amor" (2).


Referência:
(1) Esta é a fala do anjo que inicia o filme de Wim Wenders: Tão longe, tão perto (Prêmio do grande Júri em Cannes, 1993).
(2) Esta é a fala do anjo que termina o filme de Wim Wenders: Tão longe, tão perto (Prêmio do grande Júri em Cannes, 1993).

3

"Nós só somos o que somos no âmbito, densidade e dimensão das questões. Mas há uma aprendizagem – não há outro método senão os caminhos de Hermes. A aprendizagem de Hermes é a experienciação do verbo. Pois Hermes, em sua etimologia, significa verbo. E verbo é ação. É importante guardar que o agir do verbo, que é a physis, o ser, a realidade se manifestando, os gregos chamaram poiesis. Mas em que consiste a essência e sentido do agir da realidade, da physis? Todos sabemos que Hermes é o mensageiro dos deuses. A nós, mortais, cabe escutar a sua voz ou a voz de Mnemosyne através das Musas. É neste sentido que proponho as questões da arte na obra de Heidegger. Outras escutas podem achar outros caminhos. Eles serão sempre bem-vindos" (1).


Referência:
(1) CASTRO, Manuel Antônio de. “Heidegger e as questões da arte”. In: Manuel Antônio de Castro, (org.). Arte em questão: as questões da arte. Rio de Janeiro: 7Letras, 2005, p. 29.
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