Sendo

De Dicionrio de Potica e Pensamento

(Diferença entre revisões)
(1)
(2)
Linha 18: Linha 18:
: - [[Manuel Antônio de Castro]].
: - [[Manuel Antônio de Castro]].
 +
 +
 +
 +
== 3 ==
 +
: "O [[narrar]] enquanto [[palavra]] se torna um narrar inaugural da [[linguagem]], não sendo esta nada mais do que o sendo se realizando naquilo que é em sua essência originária, no isto que cada sendo é, ou seja, acontecendo poeticamente. Sendo é [[desvelamento]], é [[presença]] do que não cessa de ausentar-se, no retrair-se" (1).
 +
 +
 +
: Referência:
 +
 +
: (1) CASTRO, Manuel Antônio de. ''Leitura: questões''. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2015, p. 222.

Edição de 14h09min de 28 de Julho de 2016

1

"O particípio tò ón, o ente, o ser, é o particípio de todos os particípios, porque a palavra 'ser' é a palavra de todas as palavras. Em toda palavra, mesmo na palavra 'o nada', em que somos capazes de fazer a experiência de todo ente, pensa-se e nomeia-se ser, mesmo quando pensamos, refletimos ou nos pronunciamos a seu respeito" (1). O tradutor preferiu traduzir to on por o ente, mas a palavra alemã Das Seiende dá mais a ideia de sendo. A tradução latina do on foi ens, entis, de onde se orginou a palavra portuguesa ente. Acontece que por essa tradução perdeu-se completamente o valor verbal presente na palavra grega on, que é o particípio presente do verbo grego einai. Conferir neste dicionário a palavra ente, para completar o seu sentido verbal (sendo) e não apenas substantivo (ente).


Referência:
(1) HEIDEGGER, Martin. Heráclito. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1998, p. 74.


Ver também:

2

"Sendo" é a questão que atravessa desde o início todo pensar ocidental até hoje. Em grego é on. Já Aristóteles disse que o on se diz de muitas maneiras (to on legetai pollachós). E Heidegger também diz que, com um pouco de exagero, pode-se afirmar que o destino do Ocidente depende da tradução dessa palavra grega on. Esta é a forma verbal do verbo einai no particípio presente.


- Manuel Antônio de Castro.


3

"O narrar enquanto palavra se torna um narrar inaugural da linguagem, não sendo esta nada mais do que o sendo se realizando naquilo que é em sua essência originária, no isto que cada sendo é, ou seja, acontecendo poeticamente. Sendo é desvelamento, é presença do que não cessa de ausentar-se, no retrair-se" (1).


Referência:
(1) CASTRO, Manuel Antônio de. Leitura: questões. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2015, p. 222.
Ferramentas pessoais